Notícia


AMAC, uma história de amparo aos cegos


 

Mais independência, autonomia e desenvolvimento para os cegos e deficientes visuais tem sido a bandeira da Associação Macaense de Apoio aos Cegos, há mais de 20 anos.

José Henrique Roriz não enxerga a tela do computador, mas navega na internet e acessa e-mail. Com a ponta dos dedos prontos para digitar, ouvidos atentos, teclado e um software chamado DOSVOX — sistema operacional para pessoas cegas usarem o computador ele ultrapassa a limitação da cegueira e interage com o mundo virtual, com autonomia. José é aluno de informática da Associação Macaense de Apoio aos Cegos (AMAC) e professor de braile e soroban no mesmo órgão. Assim como ele, outros cegos e deficientes visuais encontraram na entidade beneficente uma porta aberta para o desenvolvimento e a inclusão social.

A AMAC foi fundada por Marcos Passos em 1991. Um grave acidente de carro, em abril de 1990, provocou a cegueira em Marcos. O fato fez despertar nele a necessidade de criar uma instituição que apoiasse os cegos e deficientes visuais de Macaé e região, de qualquer idade. "Não sou culturalmente cego, só fisicamente. Tentamos mostrar para a sociedade que todo ser humano tem seu potencial e o cego tem o dele", diz Marcos. Imbuída desse espírito e com

23 anos de atividade, a associação já atendeu mais de mil pessoas.

A AMAC presta serviços gratuitos como assistência social e oftalmológica, aula de informática, estimulação precoce, práticas educacionais para uma vidaindependente, psicomotricidade, orientação e mobilidade, Braille e técnica do uso do Soroban — instrumento usado para fazer operações matemáticas —, entre outros. Na área de ensino, os assistidos adquirem conhecimento para se desenvolver, aprendem a caminhar com segurança, a ter uma postura adequada, tem noções de cidadania, etc.

De acordo com o fundador, dezenas de pessoas foram encaminhadas pela AMAC para fazer cirurgia de transplante de córnea em outra cidade e muitas voltaram a enxergar. Além do encaminhamento, a entidade custeava o transporte e auxiliava na estadia. Muitas pessoas já foram beneficiadas com este trabalho social e tiveram suas realidades mudadas para melhor.

Michaelson Heraldo Sobreira Neto, 21 anos, entrou na AMAC aos 6. Ele foi aluno da extinta escola da AMAC e, hoje, é instrutor de informática na instituição. "Aqui, eu aprendi o Braille, tive aula de orientação e mobilidade, aprendi valores. Para onde quer que eu vá, sempre terei esse lugar como minha raiz. Qualquer deficiente pode ser o que quiser, basta ter força de

vontade", diz Michaelson.

Jefferson Marcelo de Oliveira Ferreira, 16 anos, também nutre muito carinho e respeito pela associação. "Tive aula de estimulação precoce, alfabetização, Braille e Soroban. A AMAC me preparou para o mundo vidente e é, pra mim, como uma segunda casa. Hoje, trabalho aqui e faço de um tudo", conta Jefferson. Ele está no 9- ano no ensino regular e sonha entrar para a faculdade de Direito assim que terminar os estudos.

 

FATOS MARCANTES

Entre muitas conquistas alcançadas pelo trabalho social, duas são citadas por Marcos Passos como fundamentais. "Nosso objetivo era ter uma escola e, no início de 1999, criamos uma. Foi o princípio de muitas coisas boas e dessa escola saíram cinco alunos que fizeram concurso público e se tornaram servidores", lembra Marcos. O fundador da AMAC sempre defendeu a escola especializada como forma dedar mais maturidade e preparar melhor os cegos para o convívio social.O Centro Educacional Municipal Professor Walter Boschiglia, que ficouconhecido como escola da AMAC, foi desativado em 2011 em virtude das novas políticas de educação inclusiva.

Outra iniciativa da entidade que é motivo de orgulho para Marcos é o monumento dedicado a Louis Braille, edificado em Macaé na Avenida Presidente Sodré, mais conhecida como Rua da Praia, em 1999. Louis Braille é o inventor do sistema de leitura e escrita para cegos. "Esse monumento foi criado em comemoração aos 190 anos de Louis Braille e, em todo o Brasil, Macaé foi a única cidade a prestar homenagem              desse porte", afirma Marcos.

 

QUEM APOIA E PODE AJUDAR

A prefeitura de Macaé e a Transocean são alguns dos apoiadores da AMAC. O órgão municipal cede instrutores para atuarem nas atividades de ensino da associação e, contribui por meio de

subvenção. Alguns sócios também cooperam, mensalmente. Para angariar mais recursos, a AMAC promove um bazar permanente com venda de roupas e objetos.

Novos apoios são bem-vindos. Em 2014, a instituição está montando uma clínica de olhos e precisa de doações em equipamentos oftalmológicos. Além disso, funciona na AMAC uma ótica que vende óculos a preços populares que necessita de mobiliário, como balcão, cadeiras, etc. Há ainda outras formas de contribuir. Quem estiver interessado em ajudar, pode entrar em contato direto com a AMAC que fica na Rua Conde de Araruama, 543, no Centro de Macaé. Os contatos são: telefone (22) 2762-8827 ou pelo e-mail amac@amacrj.org.br.

 

MOTIVAÇÃO PARA SEGUIR

Os deficientes visuais e cegos enfrentam muitas dificuldades para se adaptarem ao mundo e conseguirem viver com autonomia e dignidade. Vários deles descobrem o potencial que possuem, evoluem na escola, na profissão, no convívio familiar e social, e conquistam muitas vitórias. Paulo Hugo Peres, de 46 anos, ficou cego há pouco mais de um ano e meio e conseguiu se adaptar bem. Ele é assistido pela AMAC e preza muito pela sua independência. "Eu me considero alguém que fez uma mudança e logo buscou mecanismos para se adaptar".

Para Marcos Passos, a cegueira possibilitou que ele tivesse o prazer de idealizar e trabalhar na AMAC. "A cegueira não é o fim. Pode ser o início de muitas coisas boas", finaliza Marcos

 

.http://issuu.com/divercidades/docs/revista_pais_issu/79?e=3086374/8779609

Últimas Notícias



CRÉDITOS rodape